C   redit
Eu sabia que elas viriam e que quando viessem seriam como uma tempestestade sedenta por destruição, que não cessa até que tudo esteja destruído. E foi assim que aconteceu, veio a primeira, depois a segunda e então veio a tempestade, arrastando tudo o que havia pelo caminho, deixando apenas os destroços de um coração que já foi inteiro.
— Inrotulado  
Querido Deus, derrame agora a tua glória, a tua graça. E consola o meu irmão, que ainda chora.
brubs denner 
Você ama quem não te ama, mas não ama quem te quer bem, se apaixona por quem gosta menos, não precisa de quem te precisa, quando ama, mora longe, e quem tá perto? Se esconde, quando grita, ninguém escuta, quando encontra, já é tarde, quando quer, sente medo, se não sente, te sufoca. Se tu chora, ninguém percebe, quando sorri, alguém chora, se é dia, chega a noite, mas quando se encontram… jamais se esquecem.
Sean Wilhelm.
Aceite, ele se foi e não volta mais. Os sonhos de um dia se casarem, terem filhos , viverem juntos pra sempre, acabou aqui. Ele já não lhe pertence. Não, não chore, se Deus o levou, é porque tem coisa boa por vir.
brubs denner. 
Gosto de sorrisos que dói a bochecha.
Hanna. 
Examinem a vida dos homens e dos povos melhores e mais fecundos, e perguntem se uma árvore que deve elevar-se altivamente nos ares pode viver sem o mau tempo e as tempestades; se a hostilidade e a resistência do exterior, se toda espécie de ódio, de inveja, de teimosia, desconfiança, de dureza, de avidez, de violência não fazem parte das circunstâncias favoráveis, sem as quais um grande crescimento, mesmo na virtude, poderia realmente ser possível? O veneno que mata o mais fraco é um fortificante para o forte — por isso ele não o chama de veneno.
Friedrich Nietzsche.
Que pena
que flores não
toquem corações
e que chás jamais
curem solidão.
— José
Preciso de alguém, e é tão urgente o que digo. Perdoem excessivas, obscenas carências, pieguices, subjetivismos, mas preciso tanto e tanto. Perdoem a bandeira desfraldada, mas é assim que as coisas são-estão dentro-fora de mim: secas. Tão só nesta hora tardia - eu, patético detrito pós-moderno com resquícios de Werther e farrapos de versos de Jim Morrison, Abaporu heavy-metal -, só sei falar dessas ausências que ressecam as palmas das mãos de carícias não dadas.
Preciso de alguém que tenha ouvidos para ouvir, porque são tantas histórias a contar. Que tenha boca para, porque são tantas histórias para ouvir, meu amor. E um grande silêncio desnecessário de palavras. Para ficar ao lado, cúmplice, dividindo o astral, o ritmo, a over, a libido, a percepção da terra, do ar, do fogo, da água, nesta saudável vontade insana de viver. Preciso de alguém que eu possa estender a mão devagar sobre a mesa para tocar a mão quente do outro lado e sentir uma resposta como - eu estou aqui, eu te toco também. Sou o bicho humano que habita a concha ao lado da conha que você habita, e da qual te salvo, meu amor, apenas porque te estendo a minha mão.
No meio da fome, do comício, da crise, no meio do vírus, da noite e do deserto - preciso de alguém para dividir comigo esta sede. Para olhar seus olhos que não adivinho castanhos nem verdes nem azuis e dizer assim: que longa e áspera sede, meu amor. Que vontade, que vontade enorme de dizer outra vez meu amor, depois de tanto tempo e tanto medo. Que vontade escapista e burra de encontrar noutro olhar que não o meu próprio - tão cansado, tão causado - qualquer coisa vasta e abstrata quanto, digamos assim, um Caminho. Esse, simples mas proibido agora: o de tocar no outro. Querer um futuro só porque você estará lá, meu amor. O caminho de encontrar num outro humano o mais humilde de nós. Então direi da boca luminosa de ilusão: te amo tanto. E te beijarei fundo molhado, em puro engano de instantes enganosos transitórios - que importa?
Mas finjo de adulto, digo coisas falsamente sábias, faço caras sérias, responsáveis. Engano, mistifico. Disfarço esta sede de ti, meu amor que nunca veio - viria? virá? - e minto não, já não preciso.)
Preciso sim, preciso tanto. Alguém que aceite tanto meus sonos demorados quanto minhas insônias insuportáveis. Tanto meu ciclo ascético Francisco de Assis quanto meu ciclo etílico bukovskiano. Que me desperte com um beijo, abra a janela para o sol ou a penumbra. Tanto faz, e sem dizer nada me diga o tempo inteiro alguma coisa como eu sou o outro ser conjunto ao teu, mas não sou tu, e quero adoçar tua vida. Preciso do teu beijo de mel na minha boca de areia seca, preciso da tua mão de seda no couro da minha mão crispada de solidão. Preciso dessa emoção que os antigos chamavam de amor, quando sexo não era morte e as pessoas não tinham medo disso que fazia a gente dissolver o próprio ego no ego do outro e misturar coxas e espíritos no fundo do outro-você, outro-espelho, outro-igual-sedento-de-não-solidão, bicho-carente, tigre e lótus. Preciso de você que eu tanto amo e nunca encontrei. Para continuar vivendo, preciso da parte de mim que não está em mim, mas guardada em você que eu não conheço.
Tenho urgência de ti, meu amor. Para me salvar da lama movediça de mim mesmo. Para me tocar, para me tocar e no toque me salvar. Preciso ter certeza que inventar nosso encontro sempre foi pura intuição, não mera loucura. Ah, imenso amor desconhecido. Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã.

Meu nome é Caio F.
Moro no segundo andar,
mas nunca encontrei você na escada.   

Pra te esquecer eu rodei três galáxias. Visitei uns vinte planetas e fiz até um reino. Eu bebi um pouco, admito. Fiz tudo que você sempre odiou. Eu deixei a barba crescer, evitei de falar sobre o assunto. O engraçado é que quanto mais eu tentava esconder, mas aparecia. Aí larguei. Arrumei a casa, dei uma geral até no quarto. Larguei a bebida, fiz a barba e comecei a passar as minhas camisas. Eu era desastrado com você, aí virei outro cara. O cara que você aprovaria, mas não gostaria. O cara que poderia te fazer feliz, mas não poderia te fazer amar. Porque você é certa. Porque teu quarto é arrumado, mas a tua vida é uma bagunça. Quer dizer, se eu tivesse sido o cara que você esperava que eu fosse, não ia ter nem um comecinho. Você provavelmente teria me dado um pé na bunda desastroso e ficaria com o primeiro filho da puta que aparecesse. Mas no caso, eu fui o filho da puta. E indo por essa lógica, vários outros caras legais já devem ter aparecido. Mas você é preto no branco. Você afirma gostar daquele cara sem graça, que ri das tuas piadas mas não te faz rir das dele. E pra te esquecer eu tive que me virar pra me tornar um desses caras. Eu tentava não ser sem graça contigo, mas te deixar sem graça. Nunca ri das tuas piadas, porque teu senso de humor sempre foi bom, mas tuas piadas eram péssimas. E o que mais eu fiz pra te esquecer? Larguei aqueles lugares qualquer. Tu sempre reclamou muito dos lugares que eu frequentava. E sempre afirmou que odiava essa minha mania de ser todo errado. Mas peraí, garota certa, você sempre gostou. Reclamava mas nunca teve coragem de largar e procurar alguém certo. Porque você nunca foi toda direitinha. Quem dirá certa. Pra esquecer você eu tive que me dobrar. E foi tudo uma grande de uma perda de tempo. Porque até conhecendo galáxias, visitando planetas e mudando, tu continuou aqui. E se eu fiz essa merda toda pra te esquecer, então me fala o que tu fez pra me fazer gostar. Porque tá foda.
Robin and Stubb.  
Neste espaço branco de madrugada e lua cheia, preciso falar, e mais do que falar, preciso dizer. Mas as palavras não dizem tudo, não dizem nada.
Cario Fernando Abreu.
Mas, moço, as coisas que a gente carrega no peito, ninguém consegue explicar não.
Mariana Santos.  
Corpo de quem fica o dia inteiro na academia. Cérebro de quem fica o dia inteiro na livraria. Cabelo de quem fica o dia inteiro no salão de beleza. Salário de quem fica o dia inteiro no trabalho. E eu quero tudo isso enquanto eu fico o dia inteiro na praia.
Tati Bernardi.
Eu devia ter ficado lá. Ou voltado e procurado você para conversar, escutar por que as coisas não podem ser do meu jeito.
Gabito Nunes.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. O romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.
Luis Fernando Veríssimo.